Posts Tagged ‘On people’

As olimpíadas.

outubro 4, 2009

Porque faço Letras, são algumas as vezes que me fazem de Pasquale: um amigo perguntou-me se é certo o que dizem na TV: que as olimpíadas, assim, no plural, vêm aí. Corro ao Aurelinho, e encontro “olimpíada”. Óbvio. Mas, logo abaixo,  também encontro “olimpíadas”. Duas palavras diferentes. A primeira, substantivo feminino, “celebração dos jogos olímpicos”; a segunda, substantivo feminino plural, “jogos olímpicos”.

Faço senso dos verbetes e explico ao xará – pois também é Caio, o gajo. Insatisfeito, ele retorna:

– Então qual é a que vem pro Brasil?

Penso. E solto:

– As duas: a gente vai celebrar os jogos e jogá-los.

Também já me pediram epígrafe sobre chuva para monografia, mas não consegui encontrar.

Um ano é muito quando se tem quinze.

outubro 1, 2009

Nosso colégio denotava nossa participação no ensino médio pela adição de uma listra branca no peito do uniforme; bem entre as listras azul e amarela que já nos acompanhavam das outras séries.

Já secundaristas, íamos para o hasteamento da bandeira na sede do ensino fundamental. Um amigo iniciou uma troca de insultos com três moleques de menor série. Para terminar a bravata, estufou o peito e, faceiro, apontou com ambos os indicadores para sua recém-adquirida listra branca.

No ponto de ônibus.

setembro 25, 2009

Alinhavava o post abaixo no ponto de ônibus. Passam, um atrás do outro, três ônibus velhos. Cospem CO². E então, surgida da fumaça, aparece-me uma velha. Sobre a cabeça, um topete pichaim cor-de-burro-quando-foge, um tope preto e desdentada. Me pergunta, meio olhando por cima de mim:

– Me dá dez centavo?

Baixo a cabeça, e rio, assustado:

– Tem não.

E, arrastada pela própria inércia do topete, vai-se.

É o humanitismo.

setembro 14, 2009

Estou lendo o Quincas Borba, numa edição da Coleção Jabuti de 1972. Páginas amareladas, capa simples, texto integral. Paradidático.

Voltando do curso de alemão (Wie geht’s, blogger freunde?) estava sem um tostão e fui ao caixa automático fazer um saque. Na fila, poucas pessoas. Uma rapariga em particular iniciava a leitura de um livro, do qual percebi verde a contracapa. Gosto de checar o tipo livro que as pessoas lêem na rua, mas a pequena (ganhava-lhe na estatura) voltava a capa do escrito para baixo, negando-me sua identidade. Aguardei, atento. Chegada sua vez de ir ao caixa, ela guarda o livro na bolsa, revelando-me sua identidade: é o mesmo Quincas Borba que estou a ler: páginas amareladas, capa simples, texto integral. A única diferença era o adesivo de identificação colado na capa.

Pray tell, Mr. Babbage!

agosto 11, 2009

BABBAGE, Charles.

Charles Babbage. Matemático, filósofo, inventor e frasista: uma mistura de Frankenstein, Feynman e Stephen Fry do 1800’s.

Babbage nasceu cedo dois séculos cedo demais. Aos 31 anos, iniciou a construção de sua máquina diferencial – basicamente uma calculadora movida a vapor. E embora tivesse todos os recursos financeiros, a máquina nunca chegou a ser completada.

Depois, Babbage iniciou os projetos de sua máquina analítica – que, além de não ser completada, assim como a diferencial, sequer foi iniciada. Caso fosse, o primeiro computador teria sido inventado no século 19.

Fascinante, sobremaneira. Mas Charles Babbage estava a frente de seu tempo não apenas em questões matemáticas e logarítmicas: as indagações linguísticas também estavam entre seus interesses. Ao observar, por exemplo, alguns problemas no poema Visão do Pecado de Tennyson, Babbage prontamente endereçou uma carta ao autor:

Caso não fossem estes versos, seu poema seria belíssimo:

A todo instante morre um homem
A todo instante um homem nasce

… Fosse isto verdadeiro, a população do mundo estaria em suspenso. Na verdade, a taxa de natalidade excede levemente a de mortandade. Eu sugeriria que a próxima versão do seu poema lesse da seguinte forma:

A todo instante morre um homem
A todo instante 1 1/16 de homem nascem

Charles Babbage, senhoras e senhores.

Meu post sobre John Hughes.

agosto 10, 2009

John Hughes, diretor dos geeks.

John Hughes, diretor dos geeks.

Eu nunca fui muito de acompanhar a Sessão da Tarde. Por causa disso, perdi altos filmes, que me fazem perder altos papos. Até hoje, quando falam daquela cena irada do Curtindo a Vida Adoidado, se lembra? eu sorrio feito abestado, levanto os ombros e, resignado, admito que não, não me lembro. Eu nunca vi o filme. Nem alugado, nem zapeando pela televisão. Never. Mas ouvi dizer que é muito bom: tem uma cena com o Twist And Shout, tem o Mathew Broderick (o pôster eu cheguei a ver). A reação normal é de surpresa: não vi o filme, tu não viu o filme, não, não vi, cara, você tem que ver, verei. Finito.

Contudo, agora que o diretor morreu, coitado, e todo mundo lembrando do Ferris Buellers’ Day Off e tantos outros clássicos do cinema nerd, me veio uma certa tristeza: em vários lugares, leio sobre como os filmes foram marcantes e famosos e tantas pessoas os assistiram e compartilharam essa experiência. Mas eu nunca vi os filmes, e quando for vê-los agora (porque eu vou ver: agora eu tenho que ver) não vai ser a mesma coisa. Uma tristeza ficar de fora. E uma tristeza maior ainda por nunca ter visto direito Mulher Nota Mil.

Candygirl.

agosto 3, 2009

Certa vez, Emma criou um blog. Rosa e branco, um blog simples-simples. Uma foto sua, perdida no canto direito da página. Um blog como outros blogs criados diariamente.

E neste blog, como é de praxe, Emma falava da sua vida: seu peso, se aumentava ou diminuia; seu cabelo, se aumentava ou diminuia; seus natais nos Estados Unidos; seu amor por hambúrgueres e doces. Seu apelido era candygirl.

Mas, como é de praxe no mundo dos blogs, o de Emma foi abandonado pela autora. E assim, por um mês, ele permaneceu. Até que a irmã de Emma apareceu no blog, com um aviso:

Emma Candy morreu de câncer de ovário na Quinta-Feira, 5 de fevereiro de 2004. Ela tinha 36 anos. Uma filha, irmã e amiga maravilhosa, que tocou tantos com sua alegria e esperteza. Enfrentou esta prova com grande coragem e dignidade. Seus amigos e família lhe disseram adeus em seu funeral na Quinta-Feira, 12 de fevereiro em Loughborough, e celebraram sua vida no memorial em Londres, em abril de 2004.

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O blog de Emma, May I be frank?, e a história original em TED Talks. Quem dá a palestra é Mena Trott: a história mesmo começa em 14:33 do vídeo.