Archive for agosto, 2009

Oh, Disney, where art thou?

agosto 23, 2009

Patcha e Cuzco aprontam muita confusão.Eu sempre adorei A Nova Onda do Imperador. E sempre que me dava vontade de assistir, eu colocava o DVD para rodar. Até perder o dito cujo, e desde então minha vida nunca mais foi completa.

Depois d’A Nova Onda, a Disney ainda lançou três outras animações tradicionais (daquelas que não são feitas em computador), nenhuma tão engraçada quanto. Este período eu vou de chamar de Disney Sci-Fi: Em Atlantis, é a história sobre a busca do continente perdido – nunca vi, mas qualquer dia eu alugo; em Lilo & Stitch, é sobre um alien que vem pra Terra e é encontrado por duas irmãs havaianas; e, finalmente, Treasure Planet, que eu gosto porque tem piratas e barcos voadores, mas nada demais.

E por um tempo foi bom. Lilo & Stitch fez um dinheiro do caralho: produção de 80 milhões, lucro de 193 milhões.

Amor fraternal e humor morno em Irmão Urso.Aí entramos no período que eu chamo de Cute N’Cuddly: onde o Sr. Eisner volta a usar animais para contar histórias mornas. Nada contra animais contando histórias, mas Brother Bear e Home On The Range estão a anos-luz de Mogli e 101 Dálmatas (não vou falar de Rei Leão por que é covardia). Contudo, ainda são filmes legais. Contudo, nada memorável, e bem abaixo do que a Disney pode oferecer.

Home On The Range foi anunciado como o último filme de animação tradicional produzido pela empresa. A estratégia não funcionou: o filme bombou. O que se seguiu foi o período em que a Disney inventou de tentar ser a Pixar: Chicken Little, Meet The Robinsons e Bolt. Credo em cruz. (Alguém se lembra de Dinossauro? Putz.)

Mas assistindo A Nova Onda do Imperador, e vendo a Disney tentando mudar o tom de clássico da fábula-com-moral para gags-com-alguma-moral-em-algum-lugar – o humor vintage do Pernalonga – me faz querer ver A Princesa e O Sapo no cinema. Só pra ver qual vai ser.

Perdi uma poesia rimada hoje.

agosto 21, 2009

Gato e sapato
Mexe, remexe
Cobra não pisca
e muro não ouve.

Epígrafe de Mark Twain, porque este blog vive de se apoiar nos outros.

agosto 20, 2009

The difference between the right word and the almost right word is the difference between the lightning and the lightning bug.

Quantum poetry.

agosto 16, 2009

Imaginamos os elétrons
como círculos rodopiantes,
girando ao redor do núcleo
alegres e saltitantes.

Mas isso não procede,
é, em verdade, bem diferente.
Os elétrons giram como uma nuvem:
probabilisticamente.

Pray tell, Mr. Babbage!

agosto 11, 2009

BABBAGE, Charles.

Charles Babbage. Matemático, filósofo, inventor e frasista: uma mistura de Frankenstein, Feynman e Stephen Fry do 1800’s.

Babbage nasceu cedo dois séculos cedo demais. Aos 31 anos, iniciou a construção de sua máquina diferencial – basicamente uma calculadora movida a vapor. E embora tivesse todos os recursos financeiros, a máquina nunca chegou a ser completada.

Depois, Babbage iniciou os projetos de sua máquina analítica – que, além de não ser completada, assim como a diferencial, sequer foi iniciada. Caso fosse, o primeiro computador teria sido inventado no século 19.

Fascinante, sobremaneira. Mas Charles Babbage estava a frente de seu tempo não apenas em questões matemáticas e logarítmicas: as indagações linguísticas também estavam entre seus interesses. Ao observar, por exemplo, alguns problemas no poema Visão do Pecado de Tennyson, Babbage prontamente endereçou uma carta ao autor:

Caso não fossem estes versos, seu poema seria belíssimo:

A todo instante morre um homem
A todo instante um homem nasce

… Fosse isto verdadeiro, a população do mundo estaria em suspenso. Na verdade, a taxa de natalidade excede levemente a de mortandade. Eu sugeriria que a próxima versão do seu poema lesse da seguinte forma:

A todo instante morre um homem
A todo instante 1 1/16 de homem nascem

Charles Babbage, senhoras e senhores.

Meu post sobre John Hughes.

agosto 10, 2009

John Hughes, diretor dos geeks.

John Hughes, diretor dos geeks.

Eu nunca fui muito de acompanhar a Sessão da Tarde. Por causa disso, perdi altos filmes, que me fazem perder altos papos. Até hoje, quando falam daquela cena irada do Curtindo a Vida Adoidado, se lembra? eu sorrio feito abestado, levanto os ombros e, resignado, admito que não, não me lembro. Eu nunca vi o filme. Nem alugado, nem zapeando pela televisão. Never. Mas ouvi dizer que é muito bom: tem uma cena com o Twist And Shout, tem o Mathew Broderick (o pôster eu cheguei a ver). A reação normal é de surpresa: não vi o filme, tu não viu o filme, não, não vi, cara, você tem que ver, verei. Finito.

Contudo, agora que o diretor morreu, coitado, e todo mundo lembrando do Ferris Buellers’ Day Off e tantos outros clássicos do cinema nerd, me veio uma certa tristeza: em vários lugares, leio sobre como os filmes foram marcantes e famosos e tantas pessoas os assistiram e compartilharam essa experiência. Mas eu nunca vi os filmes, e quando for vê-los agora (porque eu vou ver: agora eu tenho que ver) não vai ser a mesma coisa. Uma tristeza ficar de fora. E uma tristeza maior ainda por nunca ter visto direito Mulher Nota Mil.

1969, ano do Hip-hop.

agosto 8, 2009

The Beatles, pais do Hip-hop contemporâneo.

Com Abbey Road, os Beatles marcaram o início da Era do Rap.

Mal sabiam os quatro rapazes de Liverpool – já homens em 1969 – como suas músicas influenciariam tantos garotos afro-americanos, de tal maneira que alguns destes tornar-se-iam artífices do gueto: as melodias mal-acabadas de Paul McCartney, emendadas por George Martin no Long Medley; os dilemas existenciais de John Lennon sobre mulheres comíveis, apesar de gordas – I want you (she’s so heavy); as contribuições de George Harrison a inevitabilidade do ciclo de vida apocalíptico do Sol, culminando na total destruição da Terra – Here comes the Sun; e a ode de Ringo Starr a Cthulhu e H.P. Lovecraft com o clássico Octopus’s Garden.

Estas composições, cada uma genial em si mesma e únicas na construção do derradeiro álbum dos Beatles, mudariam as vidas de Ice Cube, RZA, Jay-Z e Sean Puff  Diddy Daddy-O Combs: todos nascidos no derradeiro ano de 1969, o ano do Hip-hop.

Candygirl.

agosto 3, 2009

Certa vez, Emma criou um blog. Rosa e branco, um blog simples-simples. Uma foto sua, perdida no canto direito da página. Um blog como outros blogs criados diariamente.

E neste blog, como é de praxe, Emma falava da sua vida: seu peso, se aumentava ou diminuia; seu cabelo, se aumentava ou diminuia; seus natais nos Estados Unidos; seu amor por hambúrgueres e doces. Seu apelido era candygirl.

Mas, como é de praxe no mundo dos blogs, o de Emma foi abandonado pela autora. E assim, por um mês, ele permaneceu. Até que a irmã de Emma apareceu no blog, com um aviso:

Emma Candy morreu de câncer de ovário na Quinta-Feira, 5 de fevereiro de 2004. Ela tinha 36 anos. Uma filha, irmã e amiga maravilhosa, que tocou tantos com sua alegria e esperteza. Enfrentou esta prova com grande coragem e dignidade. Seus amigos e família lhe disseram adeus em seu funeral na Quinta-Feira, 12 de fevereiro em Loughborough, e celebraram sua vida no memorial em Londres, em abril de 2004.

***

O blog de Emma, May I be frank?, e a história original em TED Talks. Quem dá a palestra é Mena Trott: a história mesmo começa em 14:33 do vídeo.