Escreverei, pois.

fevereiro 26, 2010
Escrever de caneta é não ter vergonha de dizer escreverei, pois. E não preciso de borracha nenhuma me corrigindo.
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Alhures.

fevereiro 25, 2010

Este blog ainda não se findou, mas fiz outro bem aqui.


Como Sísifo.

fevereiro 24, 2010

A música de bolso – dos reprodutores de som portáteis – servem um propósito maior do que o simples entretenimento auricular: não é mais emocionante retornar à casa ao som de uma power balad do que ao de carros esquentando pela avenida? A espera pelo coletivo não se intensifica ao som de uma guitarra elétrica? O simples ato de abrir a geladeira não escapa da mundaneidade quando acompanhado de um baixo freneticamente monocórdico? Há um propósito aqui; uma vontade: os fones isolam nossos ouvidos do zunido prosaico do mundo para que, através da música, nossa vida adquira, enfim, algum sentido.


Kramer vs. Kramer

fevereiro 18, 2010

Ted Kramer não sabe em qual série do colégio seu filho está, e Billy não gosta do jeito que seu pai faz as torradas no café-da-manhã. Somente quando a mãe, Joanna, vai embora é que ambos são encurralados a conviverem, e, pouco a pouco, seus hábitos revelam-se paralelos. Apenas o espectador nota isto; para pai e filho, é apenas outra manhã comendo rosquinhas, tomando suco de laranja e lendo o jornal.


Network.

novembro 24, 2009

Numa tentativa desesperada de atingir um público invisível, o jornalista Howar Beale, em Network, começa a gritar e pregar sobre o valor da vida humana: I’m a human being, goddammit! My life has value!

Sidney Lumet quase nos engana com as loucuras de Beale e este momento aparentemente idealista de seu filme. Mas logo na mesma cena, é-nos mostrada a mesquinhez das pessoas por trás das câmeras, salivando com os índices de audiência. Ninguém ali está louco de raiva. Estão até muito satisfeitos com o que o Beale acabou de fazer.

Nas ruas, as pessoas repetem o discurso de Beale: alguns trocam uma palavra, outros mudam a entonação, mas não há como esconder o que um desapontado Max Schumacher, amigo de Howard Beale, já sabe: ninguém ali está louco de raiva. Todos só estão fazendo o que a televisão mandou.


Mr. Dog has a vision.

novembro 5, 2009

Mr. Dog teve uma visão de que o mundo ia acabar. Contou à sua família, mas ninguem acreditou; contou ao seus amigos, mas nenhum acreditou; contou a sua própria mulher, e sua própria mulher não acreditou. Abatido, Mr. Dog olhou-se no espelho e contou a si mesmo que tivera uma visão do mundo indo para o beleléu.

E Mr. Dog não se acreditou.


Mr. Dog has a stroke.

novembro 2, 2009

Reuniu a família, a morte de Mr. Dog. Pobre coitado, diziam. Tão novo, diziam. Mas Mr. Dog tinha lá seus anos, e já estava mais do que na hora, diziam.

Foi no meio da noite, acordou para tomar um copo d’água e pimba! Mr. Dog had a stroke, bem ali no meio da cozinha.


O que me ficou de Neuromancer.

outubro 20, 2009

Acabei de terminar o livro. É confuso e tem muitos adjetivos. Devolvo hoje mesmo.


Bill Hicks.

outubro 7, 2009

Bill Hicks.

<<Today a young man on acid realized that all matter is energy condensed to a slow vibration; that we are all one consciounsness, experiencing itself subjectively; there’s no such thing as death: life is only a dream, and we are the imagination of ourselves.

Here’s Tom with the weather.>>


outubro 7, 2009

…Mas meu aparato quebra-se em duas partes, irreconciliáveis. A única saída agora são as precárias mãos limpas: para sempre inúteis em combate.