No dia 20 de abril, tive um sonho, o qual relato aqui com os devidos polimentos e preucações de quem faz sentido duma história sonhada.
Já há muito tempo, quando ainda havia pescadores na região da baía, todos conheciam a lenda do peixe dourado. Diziam que era o maior, mais pesado e mais suculento peixe de todo o oceano; e suas escamas amareladas brilhavam quando vinha à superfície. Seus domínios eram em alto-mar, longe da baía. Águas solitárias e sombrias. Diziam que o peixe só aparecia ao luar.
Alguns poucos tentaram pegar o misterioso peixe: um deles, um pescador, armado com a melhor vara e o melhor anzol, foi a alto-mar enfrentar a lenda. Estacionou seu barco num banco de água igual aos outros e ali ficou. Por dois dias, não pegou nada. Até que, na noite do terceiro dia, sentiu sua linha sendo puxada com tanta força que quase arrastou-o do barco: sua presa o havia encontrado. Lutou e lutou contra as investidas. Finalmente, conseguiu capturá-lo: e ele era a coisa mais bela que já se viu nesse mundo.
Retornou à baía pela manhã, quando seus companheiros zarpavam. Viram-no. Quando o brilho de dentro do barco quase os cegou, sabiam que seu companheiro conseguira a façanha que nenhum outro deles conseguira.
Após uma rodada de congratulações e aplausos, as risadas foram cessando e as palmas silenciando. O peixe dourado, a derradeira presa que o mar tinha-lhes oferecido, fora finalmente capturado.
“E agora?”, um perguntou. “Que falta capturarmos do mar?”
Entreolharam-se. Alguns com pânico, outros coçavam a cabeça, olhavam para o céu. Aquele que pescara o peixe dourado disse, então, cabisbaixo, meio incerto de suas palavras:
“Bem, ao menos nós sempre teremos o peixe sagrado para pegar.” “Peixe sagrado?”, perguntaram os outros. “Sim”, disse ele, “Pois não sabem? O Grande Peixe que afungetara o peixe dourado de seu antigo covil no fundo do mar. Diziam que, já há muito tempo…”

