Network.

novembro 24, 2009

Numa tentativa desesperada de atingir um público invisível, o jornalista Howar Beale, em Network, começa a gritar e pregar sobre o valor da vida humana: I’m a human being, goddammit! My life has value!

Sidney Lumet quase nos engana com as loucuras de Beale e este momento aparentemente idealista de seu filme. Mas logo na mesma cena, é-nos mostrada a mesquinhez das pessoas por trás das câmeras, salivando com os índices de audiência. Ninguém ali está louco de raiva. Estão até muito satisfeitos com o que o Beale acabou de fazer.

Nas ruas, as pessoas repetem o discurso de Beale: alguns trocam uma palavra, outros mudam a entonação, mas não há como esconder o que um desapontado Max Schumacher, amigo de Howard Beale, já sabe: ninguém ali está louco de raiva. Todos só estão fazendo o que a televisão mandou.


Mr. Dog has a vision.

novembro 5, 2009

Mr. Dog teve uma visão de que o mundo ia acabar. Contou à sua família, mas ninguem acreditou; contou ao seus amigos, mas nenhum acreditou; contou a sua própria mulher, e sua própria mulher não acreditou. Abatido, Mr. Dog olhou-se no espelho e contou a si mesmo que tivera uma visão do mundo indo para o beleléu.

E Mr. Dog não se acreditou.


Mr. Dog has a stroke.

novembro 2, 2009

Reuniu a família, a morte de Mr. Dog. Pobre coitado, diziam. Tão novo, diziam. Mas Mr. Dog tinha lá seus anos, e já estava mais do que na hora, diziam.

Foi no meio da noite, acordou para tomar um copo d’água e pimba! Mr. Dog had a stroke, bem ali no meio da cozinha.


O que me ficou de Neuromancer.

outubro 20, 2009

Acabei de terminar o livro. É confuso e tem muitos adjetivos. Devolvo hoje mesmo.


Bill Hicks.

outubro 7, 2009

Bill Hicks.

<<Today a young man on acid realized that all matter is energy condensed to a slow vibration; that we are all one consciounsness, experiencing itself subjectively; there’s no such thing as death: life is only a dream, and we are the imagination of ourselves.

Here’s Tom with the weather.>>


outubro 7, 2009

…Mas meu aparato quebra-se em duas partes, irreconciliáveis. A única saída agora são as precárias mãos limpas: para sempre inúteis em combate.


outubro 7, 2009

Cego pela hubris, avanço a uma artrópode que escapa pelo chão. Estalo o mata-moscas: mato-a…


outubro 7, 2009

Derrubo-as, uma a uma. Confiante, torno minha mira às formigas que infestam a parede. O mata-moscas estala a cada acerto.


outubro 7, 2009

Empolguei-me com a estatística e saí à caça: a cozinha foi meu primeiro hunting ground


outubro 7, 2009

Pus-me à missão de contar quantas morissocas matava numa noite. Três, com o mata-moscas; uma, de mãos limpas.