Numa tentativa desesperada de atingir um público invisível, o jornalista Howar Beale, em Network, começa a gritar e pregar sobre o valor da vida humana: I’m a human being, goddammit! My life has value!
Sidney Lumet quase nos engana com as loucuras de Beale e este momento aparentemente idealista de seu filme. Mas logo na mesma cena, é-nos mostrada a mesquinhez das pessoas por trás das câmeras, salivando com os índices de audiência. Ninguém ali está louco de raiva. Estão até muito satisfeitos com o que o Beale acabou de fazer.
Nas ruas, as pessoas repetem o discurso de Beale: alguns trocam uma palavra, outros mudam a entonação, mas não há como esconder o que um desapontado Max Schumacher, amigo de Howard Beale, já sabe: ninguém ali está louco de raiva. Todos só estão fazendo o que a televisão mandou.
